Essa passagem do Evangelho de Mateus vem tocar em uma das chagas da humanidade: o orgulho. Muitas vezes, percebemos os atos de caridade acompanhados de segundas intenções, acompanhados do desejo de ser reconhecido pelo o que fez de bom para o outro, pelo que realizou. É o fazer para receber algo em troca, e não um fazer de coração. Kardec nos diz no Evangelho Segundo o Espiritismo o seguinte:

    “Fazer o bem sem ostentação é um grande mérito; ocultar a mão que dá é ainda mais meritório: é sinal incontestável de grande superioridade moral porque, para ver as coisas de modo mais elevado que o vulgo, é necessário se abstrair da vida presente e se identificar com a vida futura; importa, em uma palavra, colocar-se acima da humanidade para renunciar à satisfação que o testemunho das pessoas proporciona e esperar a aprovação de Deus.”

A prática da caridade deve ser feita de coração aberto, de maneira a levar o auxílio a vida do próximo sem esperar algo em troca, sem esperar que nosso ato seja reconhecido pela sociedade. Devemos realizar de modo a exercer a beneficência sem ostentação, pois assim estaremos praticando tanto a caridade moral quanto a material, pois muitas vezes, as pessoas que precisam de ajuda, necessitam mais da ajuda moral, espiritual que a material. Sejamos vigilantes, e sempre, quanto a máxima dita por Jesus: “Não saiba a mão esquerda o que dá a direita”. O evangelho nos adverte: “A pessoa que procura sua glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já se pagou a si mesma. Deus nada lhe deve. A essa pessoa só resta receber punição pelo seu orgulho”.
Ao dar a esmola, pensemos bem da forma como isso será realizado. Pois deve ser uma ajuda e não humilhação para aquele que recebe. Dá sem ostentação, ajuda sem querer recompensa, sem desejar que todos saibam que aquele que ofereceu ajuda é dono de um bom e generoso coração. Ajuda, ajuda sempre, pensando nos ensinamentos que o Mestre nos deixou. Sobre a esmola, na pergunta 888 do Livro dos Espíritos, diz que :

    O homem de bem, que compreende a caridade de acordo com Jesus, vai ao encontro do desgraçado, sem esperar que este lhe estenda a mão.
    A verdadeira caridade é sempre bondosa e benévola; está tanto no ato, como na maneira por que é praticado.
    Duplo valor tem um serviço prestado com delicadeza.
    Se o for com altivez, pode ser que a necessidade obrigue quem o recebe a aceitá-lo, mas o seu coração pouco se comoverá. Lembrai-vos também de que, aos olhos de Deus, a ostentação tira o mérito ao benefício.
    Disse Jesus: ‘Ignore a vossa mão esquerda o que a direita der.”

Que tenhamos um dia iluminado no amor de Cristo!